TREM

Histórico do sistema de trens de passageiros

A renovação urbana pela qual passou a cidade do Rio de Janeiro no período entre a metade do século XIX em meados do século XX foi devida, em grande parte, aos meios de transporte sobre trilhos.

Os trens foram responsáveis pela rápida transformação de freguesias que, até então, se mantinham exclusivamente rurais.

Em 1854 foi inaugurado o trecho inicial de 14,5 km da Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro Petrópolis (depois E. F. Mauá) a primeira ferrovia construída no Brasil, ligando a estação de Guia de Pacobaíba a Fragoso, em direção a Petrópolis. Esse trecho estava integrado a uma ligação por barcas que conectava a estação de Guia de Pacobaíba ao Porto da Praça Mauá (Cais Pharoux).

Em 1855 o Decreto Imperial 1598 autoriza a constituição da Companhia da Estrada de Ferro D. Pedro II. São iniciados os trabalhos de implantação da ferrovia.

O serviço ferroviário de passageiros foi inaugurado em 1858, com a implantação do trecho da Estrada de Ferro D. Pedro II, ligando a estação da Corte, hoje denominada D. Pedro II, à estação de Queimados. Em 1861 foi inaugurado o serviço regular de trens até Cascadura. Em 1864, a ferrovia já havia ultrapassado a serra e alcançado Barra do Piraí. Em 1870, a linha de Cascadura passou a ser servida por mais dois trens diários, inaugurando de fato o sistema suburbano de transporte.

Em 1871, lei da Província de Minas Gerais autoriza a criação de empresa ferroviária para estabelecer a ligação entre a cidade de Leopoldina e a futura estação de Porto Novo da E. F. D. Pedro II. Em 1872, o Decreto Imperial 4914 autoriza a constituição da Cia. E. F. Leopoldina, de capital inglês e brasileiro. O trecho inicial é inaugurado em 1873, ligando São José a Volta Grande.

Em 1875 é autorizada a implantação da Estrada de Ferro Rio D'Ouro, como auxiliar da construção da adutora entre o Cajú e as represas do Rio D'Ouro, na Baixada Fluminense. Nesse mesmo ano as linhas da Cia. da E. F. D. Pedro II alcançam Cachoeira Paulista, em São Paulo, ponto final da navegação do Rio Paraíba do Sul.

Em 1877 é adotado o sistema telegráfico entre as estações da Corte e Todos os Santos para controle dos trens. Nesse mesmo ano é feita a junção dos trilhos da Cia. E. F. D. Pedro II (bitola 1,60 m) com a Estrada de Ferro São Paulo, (bitola de 1,00 m) estabelecendo a ligação definitiva entre esses dois estados, com baldeação em Cachoeira, considerando a diferença de bitolas.

Em 1883 foi aberta ao tráfego a Estrada de Ferro Rio D'Ouro, com 58 Km de extensão e traçado paralelo à E. F. D. Pedro II.

Ainda em 1883 é inaugurada a ligação da Raiz da Serra a Petrópolis e também realizada a aquisição da Imperial Companhia de Navegação e Estrada de Ferro de Petrópolis pela Cia. Estrada de Ferro Príncipe do Grão Pará.

Em 1884 é inaugurado o serviço telefônico na E. F. D. Pedro II, sendo que em 1900 todas as estações suburbanas já dispunham desse serviço.

No âmbito da atual Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a E. F. Leopoldina teve papel indutor muito mais importante que a Rio D'Ouro. Sua primeira linha, inaugurada em 1886, entre São Francisco Xavier e Mirity (atual Duque de Caxias), interligou uma série de núcleos urbanos já existentes, que passaram a se desenvolver em ritmo acelerado.

Em 1889 a E.F.D.Pedro II passa a ser denominada E. F. Central do Brasil em virtude da queda da monarquia.

Em 1891 a E.F.São Paulo e Rio de Janeiro (ligando Cachoeira Paulista a São Paulo) é incorporada à E.F.Central do Brasil.

Em 1893 foi inaugurado o primeiro trecho da Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil, construída pela Companhia de mesmo nome, que, em 1903, seria incorporada à Central do Brasil com o nome de Linha Auxiliar. Com 61 estações, partia de Alfredo Maia (Praça da Bandeira), passando por Triagem, Herédia de Sá, Vieira Fazenda até São Mateus.

A E.F.Leopoldina é liquidada por falência em 1897. No mesmo ano é criada a "The Leopoldina Railway Co" , que incorpora o acervo da Cia. E.F.Leopoldina. No ano seguinte é concedida autorização para início de operação à empresa britânica 'The Leopoldina Railway Company Ltd".

A partir dos primeiros anos do século XX há um aumento substancial no tráfego suburbano de passageiros.

 

ANO
CENTRAL
LEOPOLDINA
RIO DO OURO
1866
263.306
-
-
1876
1.200.781
-
-
1886
1.399.029
-
-
1896
5.257.683
-
-
1900
-
582.860
-
1903
-
752.088
-
1906
19.239.236
1.163.681
-
1909
-
1.544.805
-
1910
23.841.115
-
-
1912
-
2.060.422
-
1915
28.186.057
4.305.414
-
1916
28.928.111
-
-
1918
-
5.773.689
-
1920
36.654.388
-
-
1921
9.103.465
-
-
1922
-
-
-
1923
-
-
357.371
1924
-
-
491.899
1925
54.549.342
15.371.688
930.616
1926
56.512.937
-
1.461.319
1927
60.130.631
-
1.602.505
1928
79.688.255
19.981.783
-
1929
81.914.173
-
-
1930
84.000.000
-
-
1931
-
23.027.890
-

Fonte: Maria Lais Pereira da Silva - Os Transportes Coletivos na Cidade do Rio de Janeiro

Em 1930 o transporte ferroviário encontra-se em contínua expansão. Em 1937 a ferrovia foi eletrificada. A participação percentual dos passageiros nos trens suburbanos quase duplica entre as décadas de 40 e 50 (passando de 8% para 16%), mantendo-se posteriormente, até 1960, na mesma proporção.

Em 1949 o Governo Federal assume os encargos financeiros da "The Leopoldina Railway Co", administrando-a de maneira compartilhada. No ano seguinte, a União encampa definitivamente a Companhia, que passa a denominar-se E. F. Leopoldina.

A Central do Brasil permanece sob o domínio do Estado. Em 1941, sofre uma reformulação administrativa, tornando-se autarquia, com autonomia financeira e administrativa, embora o governo federal assuma, em 1950, a responsabilidade de financiar as aquisições e obras necessárias à sua expansão. Em 1957, passa a ser a espinha dorsal da Rede Ferroviária Federal S. A. - RFFSA, juntamente com a Estrada de Ferro Leopoldina.

As Divisões Operacionais da RFFSA são criadas em 1969. Os sistemas de trem de subúrbio passam a integrar a 8a Divisão de Subúrbios do Grande Rio.

Entre 1977 e 1981 são adquiridos 180 trens das séries 500, 700, 800 e 900.

Em 1984 é criada a Companhia Brasileira de Trens Urbanos - CBTU, subordinada ao Ministério dos Transportes, com a responsabilidade pelo transporte ferroviário metropolitano de passageiros em todo o Brasil. A RFFSA fica com a responsabilidade pelo transporte de cargas. No mesmo ano o sistema de trens metropolitanos do Rio de Janeiro ultrapassa a barreira de 1 milhão de passageiros pagantes transportados por dia.

Após 1985, teve início a queda do volume de passageiros transportados pelo sistema de trens metropolitanos do Rio de Janeiro, considerando a falta de investimentos aliada a outros fatores. Clique aqui para visualizar o gráfico da média nos dias úteis de passageiros nos trens no período de 1977 a 2004.

Em cumprimento ao disposto na Constituição Federal, que transfere à autoridade pública local as responsabilidades inerentes ao transporte urbano de passageiros nas áreas metropolitanas, foi criada pelo decreto no 20.288, de 28 de julho de 1994, a Companhia Fluminense de Trens Urbanos - FLUMITRENS. A transferência efetiva do Sistema Ferroviário do Rio de Janeiro, da Companhia Brasileira de Trens Urbanos - CBTU, subordinada à União, para a FLUMITRENS, diretamente ligada à Secretaria de Estado de Transportes do Rio de Janeiro, deu-se em 22 de dezembro de 1994.

Em novembro de 1998 a operação do sistema de trens foi transferida para a iniciativa privada, através de concessão à empresa Supervia.

Durante este período de transição do sistema de trens para o Estado, concessão para a iniciativa privada e até os dias de hoje, o sistema vem sendo recuperado, com recursos do Banco Mundial e contrapartida do Governo Estadual, (Programas BIRD I e PET) além de programas de investimento da própria concessionária. No entanto a recuperação da demanda permanece aquém das expectativas.

Através do decreto nº 27.898 de 9 de março de 2001 ( complementado pelo decreto nº 28.313 de 11 de maio de 2001 ), o Governador determinou a cisão da Flumitrens em duas empresas: uma a ser liquidada (onde permanecem os ativos e a relação empregatícia dos funcionários) e outra que é a responsável pelas atividades relativas à malha ferroviária de passageiros, acrescida da responsabilidade do Sistema de Bondes de Santa Teresa, transferido da CTC - Cia de Transportes Concedidos, através do Decreto nº 21.846 de 18/07/01.

No dia 30 de maio de 2001, a Flumitrens realizou a Assembléia que efetivou a cisão, criando a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística - CENTRAL.

O Museu do Trem, situado na Estação do Engenho de Dentro, possui um vasto material do histórico dos trens. Fica aberto de segunda a sexta-feira, das 10 às 12 horas e das 13:30 às 16 horas (telefone: 2269-4555).

Voltar ao topo