BONDE

Histórico

1859 - Circula o primeiro bonde, puxado a burro, na cidade do Rio de Janeiro, ligando o Largo do Rocio ao Alto da Boa Vista. Esta linha era controlada pela Cia. Carris de Ferro, cuja exploração fora concedida ao empresário inglês Thomas Cochrane, em 1856.

1862 - A tração animal é substituída por máquinas a vapor, o que leva a Carris de Ferro a uma difícil situação financeira.

1865 - A empresa de carris, sem recursos para manter-se e ampliar o tráfego de seus veículos, encerra suas atividades.

1866 - É organizada a Botannical Garden Rail Road Company. A empresa, que mais tarde se transformaria na Cia. de Carris do Jardim Botânico, foi organizada a partir da concessão obtida pelo engenheiro americano Charles Greenough ao Barão de Mauá. Mauá vinha enfrentando uma série de dificuldades e não obteve sucesso com o empreendimento.

1868 - Inaugura-se o primeiro trecho da linha de bondes da Botannical Garden, ligando o Centro (esquina das Ruas Ouvidor e Gonçalves Dias) ao Largo do Machado.

1870 - The Rio de Janeiro Street Railway Company, autorizada a funcionar no Brasil em 1869, inaugura os primeiros trechos de suas linhas, ligando o Largo de são Francisco até o Portão da Coroa, na Quinta da Boa Vista, e em seguida, até o Caju e a Tijuca.

1871 - Abertura do trecho entre o Largo do Machado e a Praia de Botafogo, mais tarde ampliado até as Três Vendas (nas proximidades da atual Praça Santos Dumont) e a Ponte da Rainha (na atual Rua Marques de São Vicente). Neste ano, inaugura-se, também, o ramal de Laranjeiras.

1872 - As linhas da Cia. Ferro Carril de Santa Teresa ligam a atual Praça Quinze de Novembro ao Largo da Lapa e à Rua do Riachuelo. Deste último ponto, estende-se um ramal para Santa Teresa, que vai até o Largo dos Guimarães e a Rua Almirante Alexandrino.

1873 - A empresa The Rio de Janeiro Street Railway Company passa a chamar-se Cia. De São Cristóvão. Suas linhas atravessam áreas operárias e bastante povoadas nas freguesias de São Cristóvão e Engenho Velho, avançando pela orla da Saúde e Gamboa e pelos bairros da Tijuca, Catumbi e Rio Comprido.
A Cia. Ferro Carril de Vila Isabel, organizada em 1872 pelo Barão de Drummond e mais dois sócios, coloca em tráfego a sua primeira linha, da atual Praça Tiradentes ao portão da Fazenda dos Macacos, de cujo loteamento origina-se o bairro de Vila Isabel.

1877 - Inaugura-se o trajeto conhecido como Plano Inclinado de Santa Teresa.

1878 - Forma-se a Cia. de Carris Urbanos, englobando, numa única administração, quatro empresas: a Locomotora , a Ferro Carril de Santa Teresa (somente as linhas da parte baixa da cidade), a Ferro Carril Fluminense e a Carioca-Riachuelo. A nova companhia serve à área central do Rio de Janeiro, ligando-a aos terminais marítimos e ferroviários.

1892 - Inaugura-se a primeira linha de bondes movidos a energia termelétrica - a do Flamengo, aberta ao tráfego desde 1890. A primeira viagem foi um acontecimento de grande importância e um marco para a Cia. Jardim Botânico.
Abertura do Túnel Velho (atual Alaor Prata), perfurado pela Cia. Jardim Botânico que aliada a interesses de empresários imobiliários, monta uma estratégia publicitária para vender Copacabana como uma opção "moderna", como um novo estilo de vida. No mesmo ano, abre-se ao tráfego a primeira linha de bondes para este bairro.
Alguns diretores da Cia. Jardim Botânico, entretanto, acham arriscado e imprudente levar o bonde até "aquele recanto arenoso, sem habitação e cujo progresso seria muito lento."

1894 - Criam-se dois ramais a partir da Rua Barroso (atual Siqueira Campos), ponto terminal da Linha de Copacabana: um em direção ao Leme e outro em direção à Igrejinha, no Posto 6.

1895 - Inaugura-se a primeira linha que, passando sobre os Arcos da Lapa, liga a Ladeira de Santo Antonio ao Curvelo, em Santa Teresa.

1896 - Os bondes para Santa Teresa são eletrificados. Criam-se novas linhas que atingem o Largo do França, Lagoinha, Paula Mattos e Silvestre.

1901 - São concluídas as obras da linha Igrejinha - Ipanema que, nesta época, já conta com iluminação elétrica, apesar do bairro não estar ainda habitado.

1905 - A Companhia canadense The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Limited é autorizada a funcionar na cidade para produzir energia elétrica gerada por força hidráulica. O objetivo é promover a iluminação e a produção de força motriz para fins industriais.

1907 - Alegando a necessidade de eletrificação das linhas, a Light estende seu controle administrativo às principais companhias de bondes que operam na Zona Norte e no Centro.

1910 - A Cia. Jardim Botânico constrói uma subestação transformadora na Praia de Botafogo e , no seguinte, começa a utilizar a energia hidrelétrica da Light. A intercomunicação das linhas das duas empresas se estabelecia a partir do Largo da Lapa.

1914 - A Cia. Jardim Botânico estende seus trilhos até o Leblon, consolidando seu domínio sobre a Zona Sul da cidade. Aliás, a história da urbanização da Zona Sul está intimamente ligada à atuação da Cia. Jardim Botânico, que soube aliar aos seus , os interesses de vários grupos privados, cujo objetivo era a especulação imobiliária.

1916 - A Light consegue a transferência das concessões das três companhias de bonde que administra: a São Cristóvão, a Carris Urbanos e Vila Isabel.

1928 - A Light obtém a concessão da última companhia de bondes a burro: a Rio de Janeiro Suburban Tramway, que atuava na linha Madureira-Irajá.

1945 - A Light começa a alegar prejuízo no serviço de bondes.
1950/59 - Há uma sensível diminuição de bondes em circulação no Rio de janeiro, época em que sua população teve um aumento de cerca de 50%.

1960 - Termina o prazo da concessão da Cia.
Jardim Botânico, em 31 de dezembro.

1961 - Início da atuação da Junta de Administração Provisória dos Serviços de Bonde da Zona Sul, que passa a operar o serviço de bondes da Jardim Botânico.

1961/62 - Implantação da rede aérea de trolleys, que vão servir à Zona Sul.

1963 - A junta de Administração Provisória desativa as linhas de bonde.
Inauguradas as linhas de trolleys, na Zona Sul.
Extingue-se a concessão à Rio Light S.A e à Companhia de Transportes Coletivos - CTC - encampa os serviços de bonde da Zona Norte e de Santa Teresa.

1965/67 - Desativação progressiva dos bondes da Zona Norte. Os trolleys vão tomando o seu lugar, mas não funcionam como alternativa, devido à incompatibilidade entre a rede aérea, que utilizavam, e a de iluminação.

1968 - A partir deste ano, os bondes, no Rio de Janeiro, circulam apenas no bairro de Santa Teresa.

Ao longo do tempo, Santa Teresa chegou a ter em circulação mais de 35 bondes, alguns com reboque. Em 1975, de um total de 28 veículos, só funcionavam 18, com uma taxa de ocupação das mais altas (69%) de toda a história da vida de 84 anos, dos atuais bondinhos de Santa Teresa.

O sistema de bondes, operado pela Companhia de Transportes Coletivos - CTC do Estado do Rio de Janeiro, tem uma frota operacional de 10 bondes e opera com intervalos entre partidas da estação Carioca de 15 minutos. O sistema transporta entre 25 e 30 mil passageiros por mês.

Através do Decreto nº21.846 de 18/07/01, a responsabilidade do Sistema de Bondes de Santa Teresa, foi transferida da CTC-Companhia de Transportes Concedidos para a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística-CENTRAL.

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